Wednesday, 22 de January de 2020

Mais de trinta

Carnaval: só restaram as cinzas

Carnaval

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Mais um feriado passou… pouco significado, muitas justificativas, só restaram as cinzas. Há pouco esforço da maioria dos brasileiros para saber os significados dos feriados, o carnaval por exemplo, é o mais extenso do ano e ocorre durante dias, sendo que oficialmente é representado em um dia só. Quase todos os carnavalescos dizem ser religiosos, mas, festejam loucamente a festa pagã. E depois que acaba, há reflexão? Ou só justificativas?

Justifica-se a entrega às bebidas, porque tem que comemorar. Justifica-se o sexo irresponsável, porque é pra liberar. Justifica-se o esgotamento das energias porque a entrega dos sentidos é total. Justifica-se até o fato das crianças ficarem uma semana sem aulas nas escolas públicas estaduais (ao menos aqui na baixada) porque “foi” carnaval, mesmo tendo no calendário um único dia de feriado.

Não vejo os pais reclamarem, tomar satisfação nas escolas o fato de seus filhos ficarem uma semana sem aulas, entretanto, vejo-os reclamar do governo o fato do Brasil ser um dos piores do mundo na área da formação escolar e consequentemente da mão de obra de má qualidade. São feriados insignificantes, mas o comportamento de muitas justificativas.

Carnaval

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A falta da reflexão se estende e reflete ao longo de toda a vida, o parar pra pensar, os porquês, ir ao cerne das questões, isso tudo dá muito trabalho, é mais fácil seguir a correnteza da massa humana. Questionar leva a caminhos intermináveis, porque quem se dá ao trabalho de ver sabe que vai querer enxergar cada vez mais, tanto no macro quanto no micro, a procura não para, é como ir se afastando e observando de cima para baixo, cada vez com mais amplitude.

 

E essa procura leva ao senso da responsabilidade, do entendimento, do saber e sabendo, questiono, questionando, quero respostas e respondendo a elas, devo cumprir o dever de exemplificar. Aí o bicho pega. Mais fácil esquecer que me embebedei porque afinal, era carnaval, mais fácil relevar o fato de ter sido leviana porque era carnaval, mais fácil aceitar uma semana inteira sem aulas, afinal, terça foi feriado. E assim seguem as justificativas. Quando adolescentes, fazer o que todos fazem, pensar como todos pensam, ir aonde todos vão. Depois, quantos continuam eternamente orbitando na inconsequência, não criando senso crítico, não discordando porque não fica bem, melhor seguir a maioria. E assim, subservientes ao sistema que subjuga de forma linear. Quem sai dos paradigmas normalmente é rotulado de “um sujeito estranho”.

Bom ver que muitos não mais aceitam ser rotulados, começam a questionar os longos feriados e suas consequências, festejam o prazer na forma do descanso mental, não precisam das fantasias nem dos excessos pra ter alegria porque sabem que ela tem sua nascente na alma. Para quem se esbaldou no carnaval e para quem fugiu dele, faz-se o convite à reflexão. Talvez necessário sejam menos feriados e mais questionamentos.

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