terça, 22 de maio de 2018

Mais de trinta

Já que tomou um pé na bunda, aprenda com isso e saiba como funciona o banco do amor

Olá urso, preciso de sua ajuda! Não sei o que fazer, ela me deixou! Temos um relacionamento há quase 1 ano, o motivo que ela me deu foi a distância entre nós. Ela chegou a pedir um tempo e tentar levar na boa, mas depois de uma semana eu tentei conversar e nós voltamos, porém depois desse tempo ficou quase impossível de nós vermos, é realmente muito longe! Mal nos víamos, normalmente 1 vez por mês.. e olha lá. Simplesmente continuo minha vida ou luto para conquistá-la novamente? Vini

 

Olá Vini, você quer mesmo que eu responda o que você tem que fazer depois que tomou um pé na bunda? Fala sério! Como você deixa escapar uma mulher dessas da sua vida, eu não estou acreditando nisso, um relacionamento tão solidamente construído sobre os alicerces de, vejamos, cerca de doze encontros? Para os mais lentos, estou sendo irônico, infelizmente, aqui no blog, não dá para publicar o meu olhar de sarcasmo…

Quero facilitar sua vida e a dos demais que se encontram na mesma situação, darei minha resposta básica, feijão com arroz mesmo, sem ovo ou bife, nos próximos dois parágrafos, nos demais escreverei apenas o que me dá embasamento para a resposta, desta forma, se você estiver com pouco tempo ou com preguiça, pode deixar o resto do texto para outra hora!

A minha resposta básica é: tome vergonha na cara, levante imediatamente dessa sarjeta, aja como um homem, se você não souber como fazê-lo pergunte para o mais próximo que encontrar. Ah, é mesmo, agora que eu me toquei, você perguntou para mim…

Obviamente você não entendeu o que eu quis dizer no último parágrafo, caso não tenha ficado muito claro, pressione a tecla SAP! Brincadeira… Simplificando, continue sua vida! Quero citar o último trecho do Soneto do Amor Eterno (Vinicius de Moraes) – “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure.”. Muito bem, foi bacana, legal, prazeroso, mas acabou. Eu sei que você está triste com a resposta, não fique! São as experiências que vivemos que aprimoram nossos comportamentos.

Espero que você tenha aprendido a lição! Não é “quem dá tempo é relógio”! Isso é um fato, não uma lição… Aprenda como os relacionamentos funcionam, isso facilitará sua vida. Grandes distâncias não costumam gerar mais amor ou proximidade. É claro que existem aqueles que sobrevivem a esse problema, mas fazem parte da minoria. Existe um velho ditado que diz “Amor de praia não sobe a serra”, pois é, levei um tempo para descobrir que existe lógica nisso, agora é a sua vez… Eu já morei na praia e todo verão me dava bem, mas logo na sequência era obrigado a aceitar essa máxima.

Vou aproveitar a ocasião para escrever um pouco sobre o que considero um relacionamento sólido, não é sempre que pinta a oportunidade…

Troca ou doação

A despeito de uma gigantesca parcela da população, incluindo uma legião de ex-, – tudo bem, nem tanto assim, exagerei um pouco – não considero relacionamento uma troca, mas sim doação. Que chovam comentários me contrariando…

Para muitas pessoas, a relação funciona como um mercado, você me dá carinho e eu te dou atenção, você me dá amor e eu te dou sexo, você não arrota e eu não solto gases, além de outras coisas do gênero.

De forma muito pessoal, acredito que isso é um equívoco de interpretação. Ao agirmos assim, estamos criando mercenários afetivos, ao invés de parceiros. Tenho uma regra básica de não negociar com terrorista, prefiro mandar matar o refém.

Banco do amor e sua implacável política de ativos

Não é porque defendo a doação que ignoro o “Banco do Amor”. O que é esse banco? Sabe aquele negócio do dia do julgamento final onde tudo o que você fez será avaliado? É mais ou menos isso.

Cada atitude sua fica armazenada, a diferença é que não existe um dia específico para o julgamento, todos os dias o são, ou seja, você dá flores para a namorada, mais um ponto, você a chama de gorda, menos cinqüenta mil… Básico…

Agora, a existência desse sistema não pode por fim a espontaneidade na relação. Você não deve fazer depósitos esperando os lucros e dividendos, se quiser mandar flores, ótimo, só não ache que fazendo isso ela deverá fazer tudo o que você pedir.

Chico Buarque tem uma música para isso, chama-se Samba do Grande Amor:

 

Tempo de conta

A regra do mais e menos é clara, o resultado negativo porá fim a qualquer relação, porém ela não é a única regra desse sistema, existe também o tempo de conta! Pisadas de bola depois de um longo período costumam serem mais facilmente perdoáveis do que no início de um relacionamento.

Vou dar um exemplo, se o cidadão sai com uma garota e goza em cinco minutos, ele é um forte candidato ao esquecimento. Se o mesmo fato acontece somente após um ano de namoro, isso passa batido.

Cobranças e extratos

Outra peculiaridade que destaco é que nesse banco, puxar extrato e fazer cobranças não pega bem, mesmo assim, isso acontece sempre. Vira e mexe alguém utiliza de seus depósitos para cobrar a outra parte ou pedir algo em troca, fazendo com que o valor das atitudes boas caiam por terra. A mocinha pede para o meliante acompanhá-la na festa de casamento da prima da vizinha da empregada e o cara diz não. Em menos de cinco segundos, ela vira e cobra tudo o que ela deu na relação: “eu dei o toba para você e é assim que me retribui?!”. Bom, se era para cobrar depois, não devia ter dado…

Para finalizar a questão, em meu entender, tudo aquilo que é feito dentro de um relacionamento, esperando o retorno, perde completamente o valor. É como se eu respondesse essa questão esperando que você faça uma contribuição financeira. Fora isso, a quebra de expectativas gera uma enorme frustração, facilite sua vida e não exagere nelas, as pessoas também, assim como você, falham…

Abraço do Urso

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