sábado, 24 de junho de 2017

Mais de trinta

Eu e minhas amigas secretas

Durante a semana houve mais uma campanha na internet contra o machismo, desta vez, por meio da hashtag #meuamigosecreto. A ideia consistia em compartilhar atitudes machistas de pessoas conhecidas, sem nominá-las.

Entendo que por meio da exposição dos comportamentos machistas seja possível provocar questionamentos e, com eles, mudanças na sociedade. Comigo funcionou. Depois de ver algumas publicações eu já havia entendido como pisei muito na bola no passado. Uma ou outra pareceu quase que uma direta para mim, mesmo sendo de pessoas que desconheço. Tenho certeza que muitos homens também sentiram o mesmo.

Enquanto publicava textos no Pergunte ao Urso, escrevi muita coisa bacana, mas também derrapei em vários textos. Hoje, mais maduro, reescreveria uma boa parte do conteúdo. Errei muito. Muito.

Na minha vida pessoal então, nem se fala. Queria poder pegar uma máquina do tempo emprestada, voltar aos meus 14 anos e evitar o rastro de rancor e mágoa que provoquei em meus relacionamentos desde lá. Não vou listar todos os meus erros, mas acho que pontuei em quase todos os quesitos do machismo e do ignorante.

O meu mau comportamento foi atenuado com o tempo, por meio de muita dor, sofrimento e reflexão. Só assim pude realinhar as crenças que tinha a respeito das mulheres e também das relações.

Confesso que tinha ideias bastante equivocadas a respeito dos relacionamentos. Boa parte destas aprendi em casa mesmo e nos meus círculos próximos, vendo situações que acabaram me influenciando. A televisão também “ajudou” muito no trabalho de me tornar um estereótipo machista.

Machismo: criei uma Capitu em cada mulher que conheci

Machismo: criei uma Capitu em cada mulher que conheci #meuamigosecreto

Maria Fernanda Cândido interpretando Capitu, personagem do livro “Dom Casmurro”

Acredito que um dos meus maiores erros foi pegar comportamentos femininos isolados e, à partir deles, fazer generalizações, passando a imputar os comportamentos como normais do sexo feminino.

Por exemplo, vi mulheres usando da sensualidade e do erotismo para obter vantagens profissionais, desrespeitando seus parceiros verbalmente, tendo relações com mais de um homem ao mesmo tempo sem que eles soubessem, manipulando, mentindo e dissimulando.

Com a generalização, criei uma Capitu em cada mulher que conheci.

Claro que, ao pensar assim, também atraí algumas pessoas com “falhas de caráter”. Acho que, inconscientemente, foi uma forma que arrumei para provar que estava certo.

Demorei muito a me dar conte disso. Com essa mulher em mente, precisei de um bom trabalho de desintoxicação para poder deixar a armadura de lado e ter um relacionamento normal. Ainda bem que tudo isso passou e pude encontrar a minha tranquilidade.

Vejo estamos longe de ter um mundo em que não precisaremos combater o machismo, mas é inegável a evolução da sociedade em relação ao respeito às mulheres. Basta ver os últimos 100 anos de nossa história. Estamos caminhando para uma sociedade equalitária, em que homens e mulheres tenham direitos e deveres na medida de suas características.

Convido a todos os leitores e todas as leitoras a fazer uma autocrítica nesse momento e repensar suas atitudes.

Até mais!

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