segunda, 27 de março de 2017

Mais de trinta

O maldito bom amante

Coitada da mulher que teve a infelicidade de cruzar com um bom amante. Ele destrói sonhos tímidos e os transforma em fantasias úmidas, coloca os novos amantes — mesmo os mais esforçados — na categoria de principiantes, faz com que um sorriso indisfarçável de canto de boca se forme quando memórias quentes são relembradas, enfim, o bom amante pode acabar com a felicidade sexual plena de uma mulher. O sexo com ele nunca é só sexo. O “só” não se encaixa de forma alguma.

Relacionamentos começam e acabam sem que o novo amante descubra o que o sabotou. É muito difícil uma mulher dizer, com todas as letras, que preferia estar com outro do que com ele. Poucas são cruéis ou vingativas a esse ponto. Dizer exatamente a verdade a um homem, nessas condições, só pode ser por crueldade ou vingança, pois não haveria nada que ele pudesse fazer para mudar o que foi dito. Não se ensina mojo, borogodó ou ziriguidum à alguém.

Mas, o que o faz tão diferente dos tradicionais? Em uma palavra, o jeito. Em muitas, o jeito de tocar, de beijar, de entender, de aprender, de corromper valores, de inovar, de conhecer, de fazer esquecer e de fazer lembrar. O jeito.

O bom amante não tem em seu ato, encarado como um culto à mulher que ali está, um roteiro definido e engessado. Não usa sempre as mesmas duas ou três posições sexuais que todos usam. Nem precisa que uma sempre aconteça para que sua felicidade seja alcançada. Tudo é bom. Tudo é ótimo.

Ele também não é um sujeito que se amedronta ao ver um brinquedo erótico, muito pelo contrário. Sabe usar os sextoys para provocar os instintos da mulher, sem que isso represente qualquer tipo de ameaça ou lhe provoque receio.

Criar clima para que a noite seja boa é sua especialidade. Sabe um jeito de falar sacanagem que, mesmo brega e clichê, é muito eficaz na arte de seduzir. Consegue tratar de dogmas e tabus como quem pede uma refeição em um restaurante lotado, sem cerimônia alguma.

Está, sempre que for do seu interesse, aberto a fantasias. Não vê problema algum em alimentá-las, entende que o imaginário da mulher — e não somente o mundo real — é responsável por boa parte de seu prazer.

Ao contrário do que o senso comum acredita, sabe que a variedade e quantidade não lhe torna um bom amante. Sendo assim, usa de sua experiência para se manter um eterno aprendiz, sempre dedicando-se a conhecer cada ponto que pode dar prazer e dor em sua parceira.

Não tem problema algum em conduzir o sexo, sabendo não só falar o que quer e o que não quer, mas também como e em que momentos falar ou permanecer em silêncio.

Assim como um enólogo que sabe apreciar a qualidade de um vinho e não tem pressa alguma de degustá-lo, passando mais tempo em saboreá-lo do que simplesmente tomá-lo, faz das preliminares uma viagem sem hora para terminar, mas se for preciso ter pressa, conhece os atalhos certos para elevar a temperatura.

Por esse e por outros motivos, é conhecedor e estudioso do beijo na boca. Sim, dele mesmo. Aquele que por muitos homens é desprezado, o beijo na boca do bom amante reflete quem ele é e o que ele quer. Não deixa dúvida alguma de suas intenções, mesmo assim, faz questão de não economizá-los.

Junte tudo isso ao controle de sua energia e tesão, que o faz poder prolongar a relação pelo tempo que quiser ou, se for necessário, encurtá-la.

Não se preocupe se você nunca tenha estado com um sujeito como esses. Talvez seja melhor assim. O maldito bom amante pode ser um problema para o resto da vida, ou uma solução.

Até mais!

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