Tuesday, 25 de June de 2019

Mais de trinta

Por que gostamos de problemas?

E quem é que não tem problemas?

E quem é que não tem problemas?

Muitas vezes alguém nos coloca para baixo, cobrando como se precisássemos acreditar e focar no futuro. Como se a cada passo tivéssemos que ter certeza de nossas ações, com um medo absoluto de cometer erros. Outras vezes, nós mesmos nos cobramos alguns sonhos, alguns compromissos, algumas contas bem pagas, alguns reconhecimentos, comportamentos adultos e bem sucedidos.

Temos o defeito mais complexo do universo, procurar problemas para resolver. Porque é tão difícil sentir prazer nas coisas simples, mas não só no momento, viver aquilo como religião, vício. Aquele sorvete na praça por do Sol, a noite de jazz com um bom vinho e uma ótima amiga, uma massa com gosto de família, uma noite bem dormida com lençóis recém chegados da lavanderia.

Problemas sérios são mesmo os de saúde, ou uma depressão da qual nos isola do convívio pessoal, perder alguém querido…
Até a falta de grana pode ser uma chateação, mas não um problema. A gente faz crediário, tem cartão de mil bancos diferentes, a gente paga juros, paga conta, se ferra geral, faz algumas escolhas, mas no fundo trabalho e dinheiro servem para isso. Daqui a gente não leva nada mesmo.

Claro que ao dormir o travesseiro fica mais gostoso quando se tem menos preocupação e menos contas a resolver pagar.
Porque será que somos viciados em problemas? Porque julgamos a vida do fulano? Porque cobramos de nós e dos outros, planos coesos, métrica das ações? Porque cobramos que todo mundo seja evoluído o bastante e nos dêem sábios conselhos? Porque nos cobramos com o mesmo tradicionalismo que julgamos?

Porque será que cobramos sermos bem sucedidos em todas as áreas da vida, se também se perder faz parte de um grande ensino. Largar o rumo das coisas, deixar que a vida seja um rio, fluindo. Fico pensando qual o sentido de não assumirmos fraquezas para parecermos sempre lindos e menos frágeis, como se quiséssemos causar inveja na infelicidade alheia. Nós julgamos os problemas dos outros e procuramos em nossas vidas pequenos erros de maturidade e fragilidade para sentirmos culpa, para gastarmos tempo em soluções, como se ser feliz fosse um plano de ostentação, quando nada mais é do que uma paz no espírito.

Do que importa ser só carcaça? Olhos com brilhos fracos, gestos tímidos, ditados de mesa de bar, sorrisos falsos. Não afirmo que a vida é feita só de facilidade ou tristeza, mas afirmo que não tem erro quando quiser ser “cuca fresca”, quando quiser não se preocupar ou acomodar um pouco. Deixar para lá também é ação.

Os livros de auto-ajuda, por exemplo, nada são perto dos conselhos sábios de mãe. A receita era simples, se quiser ter boas notas, estude, dedique-se. Se não quiser ter dores de barriga não coma brigadeiro quente. Não pise no chão com os cabelos molhados para não resfriar-se. No fundo, problemas são como matemática, a conta fecha, sempre fecha. Talvez nem todas no final do mês, mas, não sou a pessoa melhor indicada para esse conselho.

Não guardo dinheiro, comecei pelo menos cinco faculdades diferentes, trabalho com algo que não gosto totalmente, tenho infinitas brigas familiares, mas tenho um ótimo e amigável coração. E na maioria das noites durmo sem peso na consciência e também não faço muitos planos para os dias seguintes. Costumo dizer que só por hoje, um dia de cada vez.

Não fiz muitos planos para o futuro, sou verdadeiramente feliz, ganhando e gastando. Sempre quis casar e ter filhos, mas ando me permitindo a mudar de idéia. Quando estou triste, faço as unhas, mudo o visual, vou à minha igreja, saio para dançar ou jantar com uma amiga. Também compro flores para mim, me presenteio com peças de roupas, escrevo, dou um abraço em quem amo e saio para comer algo bem gordo.

Seja generoso com quem ama, deixe que sonhem e que possam ser o que quiser, mesmo que seja uma princesa ou um sapo.

Seja generoso com quem ama, deixe que sonhem e que possam ser o que quiser, mesmo que seja uma princesa ou um sapo.

E quando estou feliz descobri que faço também as mesmas coisas e por quê? Porque eu amo me agradar e nesses pequenos gestos estão guardados os meus mecanismos de felicidade e defesa. Mas se seu problema é porque engordou relaxe, não me venha dizer que fazer exercícios e fechar a boca é difícil. A força de vontade mora em algum lugar preguiçoso dentro de cada um de nós. 

Quanto ao ditado, pimenta nos olhos dos outros é refresco… Bom é mesmo. Mas aqui vão alguns conselhos para que diminua a carga e fique bem, ou pelo menos que dê risada desse texto simplista. Jogue esse estresse cheio de bobagem para lá, de razão ao que realmente importa. Não de importância demais ao que não é um sério problema. Guarde suas energias, mas não acomode com o que lhe incomoda. Trabalhe antes de pensar apenas na recompensa. Ganhe, depois gaste, pouco importa como, isso é problema seu. Dê presentes e mimos, a você e aos outros, os dois fazem um bem danado.

Não beba antes de dirigir, não dirija falando ao telefone, não deixe de pagar suas contas em dia, faça concessões, às vezes, nem sempre. Coloque despertador pela casa inteira, caso sabia que irá se atrasar. Não deixe amigos esperando, principalmente se eles vieram te buscar.

Tenha três carregadores de celular, para não ficar irritado quando a bateria acabar. Um em casa, um no carro e um no trabalho.
Minta menos no seu dia a dia, se proponha e falar mais verdades, mas omita caso seja necessário. Faça back –up antes de perder seus dados importantes, se possível imprima fotos e faça um álbum. Guarde seus momentos felizes. Não deixe senhas salvas no seu computador e apague as mensagens comprometedoras ou as que pelo menos parecem, mas não são.

Ria da sua falta de capacidade e de habilidade. Tenha humor ácido consigo. E se alguém cair na sua frente segure o riso frouxo e ajude, sempre. Se puder e quiser ter filhos, planeje. Não os frustrem. Seja generoso com quem ama, deixe que sonhem e que possam ser o que quiser, mesmo que seja uma princesa ou um sapo.

Evite andar sozinho nas ruas durante a noite, não ande no carro de janela aberta falando no celular. Leve sempre um casaco, como sua mãe aconselhou. Fique atento quando for ao banco. Certifique-se sempre que tudo está nos bolsos. Namore, bastante antes de casar-se. Ou melhor, case-se e depois viva como um casal de namorados.

Se eu puder continuar lhe dando bons conselhos, trate-se com amor. Para com essa historia que todo mundo morre sozinho, que o mundo é cheio de gente egoísta e que te procuram só quando precisam. O mundo é grande demais e tem gente de tudo quanto é tipo. Faça sempre algo por você, seja mesmo a pessoa que gostaria de ser. Seja sempre quem gostaria de ter por perto. Seja seu melhor amigo e contribua para que os problemas sejam meras bobagens.

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