terça, 23 de maio de 2017

Mais de trinta

Ser só ou melhor ser junto?

Entre relacionamentos que acabam, poesias feitas, músicas com letras bonitas, trechos de livros nos cabe a única certeza: a gente vai sofrer por amor.

Talvez alguns amores nem mereçam tal exaltação, mas por algum motivo a gente cultiva a saudade, lamenta a intimidade perdida e o silêncio imposto pela falta de jeito, porque ficou repetitivo demais dizer o que sente.

Nas minhas rodas de amigos todos reclamam do mesmo, faltam homens legais e mulheres bacanas. No fundo para mim a grande questão é: falta gente de verdade.

Gente que arrisca o discurso, que recua as ideias e que pensa fora da caixa.  Gente que deixa o discurso de liberdade em casa e que no fundo está disposto e aberto a se entregar sem medo, se precisa for. Não acredito que seja bom viver sozinho, não por todo tempo.

Um amigo me ligou eufórico e disse que estava verdadeiramente maluco de paixão. A menina era linda e morava fora da cidade. Meu conselho foi certeiro: viva! Não existe essa de medo de se machucar, caso contrário, não saia de casa, não conheça e não sorria para ninguém. E se por acaso sair, olhe para baixo. Se blinde. Recue.

Poxa, que chatice.

Disse a ele que seria necessário ter coragem e se não desse conta, recuasse. Entendi a euforia dele e confesso, estava doida para me sentir daquele jeito também. O que nos diferenciam de todo resto é a disposição que damos aos acasos.

Viver aberto a paixões é uma das coisas mais bonitas que existem e quando digo isso, não me refiro a gostar das conquistas, mas gostar de preencher alguém com alguma coisa. Abraço, colo ou até mesmo uma noite de dança.

Porque em tempos de tinder, o amor, a paixão, o toque e as saídas para jantar ficaram tão mecânicas, que trocamos as pessoas como quem troca de qualquer coisa. Não faço parte dessa gente e assumo as consequências das minhas portas abertas. Não desmereço quem não gosta de viver assim, mas falta algo mais. E se para se tornar íntimo de alguém é preciso de um começo, com medo, isso não acontece de forma natural.

Trocaria muitas paixões e conquistas por relações mais estáveis. Adoro estar apaixonada, mas confesso que viver com falta de ar é enlouquecedor. No meu período da escola dávamos uma piscada para irmos juntos ao bebedor, só pelo prazer de estar perto e tocar as mãos.

Depois eram cartas escritas. Pergunto-me o tempo todo onde foram parar aqueles meninos que escreviam cartas e diziam “saudade” e” te amo”. Também me pergunto onde foram parar aquelas meninas que não tinham vergonha de amarem e que não precisavam se fazer de duras e modernas.

Nesse universo hostil sinto que todo mundo se esconde, não sei se por proteção, mas confesso que essa saída não me parecesse das melhores. Fico querendo muito que alguém me convença que estar só é a melhor opção, porque minha cama é imensa sozinha, meu sofá tem tantas almofadas que adoraria dividi-las.  Quase tudo estraga na minha geladeira, porque cozinhar para um é um saco.

Meus amigos vivem presentes, mas eles gostariam de ter alguém para chamar de “meu”. E por favor, sem essa de achar que estou falando sobre posse, estou falando sobre paixão e amor.

Esse discurso de liberdade é lindo, também gosto. Mas dividir e compartilhar momentos, emoções e tudo mais que temos me parece mais incrível ainda.  Caso contrário não só estaremos fardados a solidão, mas também a falta de ter algo verdadeiramente bom para fornecer ao outro, só seremos amarras.

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