quinta, 14 de dezembro de 2017

Mais de trinta

Você acredita em energia?

Outro dia fui pega por uma falta de vontade daquelas que a gente não quer ver ninguém.
Primeiro certifiquei-me que não estava de TPM, depois fiz um resgate das minhas 24 horas para ver se havia algum motivo para estar chateada. Peguei logo um horóscopo para ver se os astros estavam ao meu favor. E estavam. Depois dei uma breve passada no território lunar, porque com a chegada da lua cheia a gente nunca sabe o que está para acontecer, né.

Nada havia acontecido. Absolutamente nada, nem ninguém para culpar. Era a realidade mesmo batendo na porta se certificando, ou melhor, afirmando que haviam desejos a serem realizados. Aquela sensação era quase um abandono de mim mesma. Sabe-se lá porque, tudo em minha volta ficou no mesmo humor e na mesma cor que meu coração.
Era uma crise de insatisfação dessas que vez ou outra batem pedindo urgência em modificar a vida e quando isso acontece é claro que alguma coisa dentro do coração está fora de ordem.

 

Alguns dizem que nós mulheres estamos sempre insatisfeitas, mas afirmo que na verdade estamos mais é a procura de coisas que nos trasbordem. Atrás de realizações maiores do que meramente palpáveis. Trabalho, carreira e dinheiro – Tudo isso é muito bom, paga as contas, compra uma boa bolsa, paga uma incrível viagem. Só que existe uma insatisfação que dinheiro nenhum aniquila.

O que é do coração pertence só ao coração.
Sei que ficar um pouco na zona de conforto soa seguro, embora saibamos por que algumas crises batem e nos arrebatam.
Coloquei a culpa no mundo que anda hostil demais para alguém como eu. Depois coloquei culpa na família, na falta de dinheiro, nos meus erros, no trabalho, na minha terapeuta, no meu marido e no meu cachorro. Só que de nada serviu achar culpados para minhas angústias.

 

Se a gente quiser que algo saia diferente, precisamos mudar o percurso. Mudar os registros de como temos nos portado diante dos problemas até hoje. Porque existe um terrível vicio na nossa maneira de pensar e agir.
Não adianta querer uma vida nova e continuar com velhos hábitos- e sinceramente? Todo mundo sabe disso.
Primeiro tentei me perdoar. Pedi ao meu coração que se perdoasse. Depois clamei por força, ninguém consegue ser forte sem antes ter perdido as esperanças. Não acredito que ninguém nasce forte, acredito que a vida nos deixa forte. Depois agradeci, por vezes reclamei sem entender a força das palavras. Cada vez que reclamo é como se uma bolha energética pegasse e transformasse tudo nesse sentimento. A vida não anda para pessoas que só reclamam.

 

A vida anda para quem faz algo com suas reclamações. Você tem um problema? Vá lá e resolva e este problema estiver muito difícil e quase impossível, esqueça. Nem tudo é para já.
Depois de agradecer a vida e as pessoas da qual conviviam comigo, pedi aos astros, as forças, a vida – e até convencer a minha própria consciência. Pedi para que a confiança nunca me deixasse desamparada, mas sem materializar meu ego. Humildemente pedi conforto.

 

Por fim, me afastei dos amigos que mantinham essa mesma conduta, mas não por falta de amor. Não poderia resolver os problemas que eram deles, talvez nossas energias cruzadas e carregadas estivessem nos fazendo mal. Então, intercedi por eles também. Pedi para que eles também pudessem se livrar da negatividade e arregaçarem suas mangas, para que nós todos encarecemos nossos medos e frustrações de frente. Não existe atalho.
Dormi.

 

No dia seguinte acordei diferente. Sem feridas abertas, sabia que a magoa estava lá, mas não tão aparente. Era dor só minha. Percebi que meus olhos estavam vendo diferente. Entendi o recado – Tudo depende de como vemos a vida.
Um problema pode ser também uma solução. Aquela sensação de reclusão e vontade de não ver ninguém podia ser boa. Acho que aprendi e comecei a gostar de ficar sozinha. Acho que estava gostando da minha companhia. Li livros, escrevi, cozinhei, tomei uma taça de vinho, vi um filme e escutei meus discos. Tudo só para mim.
Fui tomada pela paz. Claro, não quero viver assim para sempre, mas estar só às vezes faz com que as coisas tomem seu devido lugar.

O que quero dizer com isso?
Vale mais o pedido íntimo de socorro do que gritar que está desesperado. Vale mais um agradecimento do que só a reclamação.
Vale sempre mais uma ação do que uma palavra. Embora vocês não saibam ainda o poder que a palavra possui.
Gratidão.

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