sábado, 21 de janeiro de 2017

Mais de trinta

Vou lembrar de você

Vou lembrar de você – todas as manhãs.

Talvez alguns dias com certa tristeza, outros com certo amargor. Quando passar, talvez com um pouco de saudade e nostalgia. Com lágrimas nos olhos e o peito vazio, sentirei sua falta.

Vou lembrar as coisas boas, querendo sucumbir as ruins. Temos essa coisa de esquecer os nós e só lembrar a parte gostosa, esquecendo as brigas e as palavras ditas.

Terão dias que lembrarei sorrindo, outros que não sei… Acontece que a gente não esquece ninguém da noite para o dia e faz tanto esforço para esquecer, mas logo percebemos e lembramos o cheiro, o gesto, o gosto e a companhia.

Agora o esforço é lembrar as coisas ruins que você me disse naquela noite, ou as noites que fiquei acordada te esperando. Quem sabe seja mais fácil. Fique mais claro, te odiar agora seria uma boa saída. Pegaria minhas tralhas, ficaria com dó de você, não de mim. Eu sei, parece errado que uma historia tão bonita tenha que ser esquecida.

Por amor compreendi que você precisa partir, sei lá para onde. Criei a tal empatia, para justificar suas ausências. Suas manias covardes. Ganhar seu espaço, seu dinheiro, seu mundo. Também não entendo porque atrapalho tanto seu processo de conquistar sei lá o que quer que seja. Mas acontece que no meio disso tudo, alguém foi, alguém ficou.

Fico pensando, será que é melhor terminar com amor – ou é melhor aquele dramalhão com roupas voando pela janela e tudo mais. Cena de novela.

Quando a cama ficar vazia, dormirei no meio, mas sempre pendendo para o seu lado disposta a não sentir sua falta.

A vida tem um jeito estranho de provar que estamos no caminho errado. Pedi tanto para aquele que manda e desmanda nessa terra, que quando ele tirou você do caminho, lamentei. Todos os dias, todas as noites.

Dizem que passa. Espero esse dia. Conto esses dias. Quando vou acordar e sem querer você não estará mais pregado nos meus pensamentos. Confesso, ando ansiosa para que isso me liberte. Porque a despedida liberta também. Oficialmente.

Que eu curta um bom luto, desse jeito mesmo, me rendendo a novos olhares por ai na rua, em braços de amigos, em noites de filmes e comida. Na verdade, também não tenho sentido fome.  Também não tenho vontade de sair, mas é preciso né.

Seguir a vida sozinha agora, sem ninguém para dar a mão, é necessário saber quando é amor e quando é carência. Tenho tentado entender.

Quando o fim se antecipa, uma parte fica sem chão. É preciso ter coragem para seguir em frente, destratando o amor e expulsando ele do peito.

Mas tem algo genial nisso tudo, porque todo ciclo que se fecha, indica um novo começo. Com novos desejos, novas aflições e novos objetivos.

Vou lembrar de você, sendo bom ou ruim. Porque por mais que a gente tenha vontade de esquecer, pessoas fazem parte de nossas vidas. Entram, mas nunca saem. De vez.

Estão nos álbuns, nos e-mails, nas fotos.

Fica guardado no peito, com gosto de saudade.

Esquecer, a gente finge que esqueceu.

Ando esperando noticias suas, porque você foi e é – meu melhor amigo.

Onde quer que vá, lembrarei de você, e espero que logo a gente consiga se abraçar com aquela sensação boa de que seguimos nas direções certas e fizemos o melhor por amor a nós. Nós dois.

 

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