Wednesday, 05 de August de 2020

Mais de trinta

Acreditar ou não, eis a questão? Quando ser feliz parece mais difícil do que ter razão… Imperdível!

Oi amigo urso! Gostaria de saber sua opinião sobre o assunto a seguir: sou casado com uma linda mulher, e segundo ela fui seu segundo homem, há algum tempo eu descobri que ela foi jantar com seu ex-namorado, que por acaso foi seu primeiro homem (você entende, né?), pois bem esse acontecimento ficou guardado com ela até, eu, sem querer abrir seu e-mail, e sem querer descobri o acontecido, na verdade já estavam indo pro segundo jantar. Segundo ela, ela só foi ao encontro com o tal para mostrar-lhe o quanto era feliz comigo… O que faço? Você acha que devo acreditar? Cleber

 

Caro amigo Cleber, antes de qualquer coisa, quero lhe dizer que sua cabeça é seu mestre. Eu sei que ela pode estar meio pesada agora, diante dos acontecimentos, mas pensando bem, se isso está acontecendo, não acredito que seja de hoje. E agora ser feliz parece ser mais difícil que ter razão…

Quem sou eu para lhe dizer se deve ou não acreditar na palavra da sua cônjuge? Muito mais do que a decisão de acreditar ou não, é o seu relacionamento como um todo que está em discussão. 

Antes de tomar essa decisão, creio que você deve ponderar algumas coisas, como por exemplo, o que você fará em ambas as hipóteses. Para te facilitar a vida, já antevendo que seu raciocínio pode não estar muito bem, vou te ajudar me colocando na sua situação, tentando ver os possíveis desdobramentos de cada opção.

 

Sim, eu acredito

Muito bem, caso você resolva acreditar na história que lhe contaram, creio que você será um homem mais feliz do que é hoje, talvez um pouco mais chifrudo, mas sem dúvida, mais feliz, afinal, você aprendeu a não se importar com essas besteiras de fidelidade com que a maioria se importa.

Não lhe condeno, dependendo do tipo do relacionamento adotado, talvez fechar os olhos seja a melhor saída. Arrumar outra mulher dá muito trabalho, você tem que conhecer, jogar uma conversa, namorar, escutar e contar todas as mentiras de praxe, conhecer a família da moça, ter todo aquele trabalho de adaptação ao modo de vida do casal e ainda tem que abrir mão dos amigos da ex, bem como, aceitar os amigos da atual.

O que até pode, mas não deve acontecer, é, depois do voto de confiança, que o senhor vire marido “polícia federal”, passando a investigar todo e qualquer vestígio de uma possível traição. Resumindo, se disser que acredita na palavra dela, você deve realmente acreditar. Nada é mais chato do que um corno curioso!

Outro dia, conversando com um amigo, falávamos sobre os tipos de mulher e sua relação com as polícias:

Mulher “Guarda Metropolitana” – fica ali, só circulando, mas faz vista grossa e se o negócio apertar é capaz de negar o que viu.

Mulher “Polícia Militar” – não é muito dada à prevenção. No caso de ser chamada para uma ocorrência, fica brava em ter que largar a coxinha que estava comendo, mas vai averiguar, mesmo assim é a favor da conciliação.

Mulher “ROTA” ou “BOPE” – muito ostensiva, ignora desculpas, chega batendo e perguntado “Quem é a porra da vagabunda que você está comendo?”, mesmo até que você não tenha nenhuma outra mulher. É da política da presunção do crime.

Mulher “Polícia Civil” – gosta de um agrado. Mantenha-a sempre com mimos e se você tiver um mínimo de descrição, ela te deixará em paz. Porém, em caso de ser pego em flagrante, não tem jeito, todo mundo vai parar no DP. Não costuma dar mole para vagabundo.

Mulher “Polícia Federal” – gosta de uma investigação silenciosa, não dá o bote antes da hora, fica lá te investigando por semanas, meses e até anos. Costuma se infiltrar muito bem e quando chega para discutir a questão, já vem com o papel do divórcio só faltando a sua assinatura, dotada de fotos, contas de motel e gravações, não há como escapar.

Óbvio que isso era só uma viagem nossa, papo de bar…

Não acredito nessa puta!

Acho engraçadíssimo esse negócio de rótulos, depois de não sei quantos anos de relacionamento, quando o sujeito descobre que a mulher pulou a cerca, de amorzinho ela passa a ser a puta.

Sempre escrevo isso, a parte “prejudicada” tem o costume de eleger a outra parte como o vilão da história. Parece até que vivemos sempre entre o bem e o mal, não havendo oscilações. Ignorar que ninguém é completamente bom ou malvado é a maneira mais fácil na hora de achar um culpado. Se levarmos isso em consideração, seremos obrigados a olhar para dentro e descobrir nossos possíveis erros.

Eu sei que, se você resolveu não acreditar, já pensou até em matar a mulher, imagino isso após ver tanto homicídio passional acontecendo. O boi fica “brabo” – leia com sotaque caipira – e sai como doido atrás de matar a mulher e talvez até o Ricardão rode junto.

Eu mesmo não saberia qual seria a minha reação, acho que dependeria muito do momento da notícia. Por exemplo, caso eu tivesse ganhado na mega-sena, diria um simples “tudo bem” e pronto, pegaria minha meia-dúzia de cuecas e sairia cantarolando por aí.

Contudo, se a mulher me pegasse no dia errado, naqueles dias em que você acha melhor não ter acordado, aí sim, pode dar merda. Acredito piamente que todo ser humano é um homicida em potencial. Tudo é questão de coincidir algumas situações. Se teu chefe te demitiu, sua conta está estourada, você descobriu que é filho do vizinho, bateram no seu carro, você chega em casa, pega a mulher na cama com outro homem e está armado, fatalmente, daria merda.

Eu sei que isso não é justificável, mas… Quando o sujeito está fora do racional e tem o poder de tirar a vida de alguém, ele o faz. Depois recobra a consciência e percebe o erro cometido. Até parece que matar alguém o fará ser menos corno… Além de não resolver um problema, agora o sujeito tem outro, a cadeia.

Resumindo, se você não acredita nela, não vejo porque o relacionamento deva continuar.

Não consigo te dizer no que acreditar porque não conheço a vida dos dois a fundo, se você que a conhece não consegue saber em que acreditar, eu que estou de fora, muito menos. Te dou uma certeza, não se importe com a opinião alheia, no final quem sofrerá conseqüências da decisão é você somente.

Para a reflexão final, pergunte-se “Eu quero ser feliz ou quero ter razão?”, lhe adianto que quase nunca os dois são possíveis e mais do que escolher entre um ou outro, você deve entender e aceitar do que está abrindo mão.

Abraço do Urso

 

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