terça, 27 de setembro de 2016

Mais de trinta

Sexo anal: como pedir sem ser discriminada

Olá querido Urso, há alguns meses comecei um novo relacionamento e tenho um certo receio em falar sobre sexo anal, pois sempre acreditei que isso fosse mais um desejo masculino do que feminino. Como até o momento não partiu dele, gostaria de saber qual seria a melhor forma de abordar esse assunto sem assustar meu amado. Aprendi a gostar desse “carinho” e desejaria muito de compartilhar isso com ele. Espero que você escolha minha pergunta para ser respondida em seu blog. Parabéns pelo seu trabalho tratando de assuntos importantes de uma forma leve e divertida! Bjs, Angela.

Querida Angela, acho que você está se preocupando demais, boas notícias são sempre bem vindas, agora notícias como essa são como descobrir que não só ganhou na Mega sena, mas que dará uma banana para a Receita Federal e não pagará um centavo de imposto de renda! Brincadeiras a parte, entendo sua consternação, assim como muitas mulheres você descobriu que sexo anal pode ser bacana, contudo teme ser vista com preconceito caso exponha sua preferência pela porta dos fundos.

O preconceito e a hipocrisia

A verdade é que você tem razão em se preocupar, da mesma forma que existem meliantes que acham que dar de primeira queima o filme, dependendo do caso até eu acho, há também aqueles que consideram a prática como comportamento das putas das putas.

Ouvi falar de sujeitos que deixaram de sair com garotas porque lhes foram oferecidos os fundos enquanto eles prometiam os mundos! Isso eu acho bobagem, nunca vi alguém ser mais ou menos santa por conta do uso que faz da bunda!

Se levássemos o prazer em consideração para avaliarmos se uma pessoa pode ser confiável ou não, só poderíamos confiar nas frígidas, o que não faz sentido pois até elas traem! Sendo assim, a capacidade de sentir prazer até pode, mas não deve ser usada para enquadrar alguém dentro de um rótulo.

Antes que me apedrejem, realmente não acho legal a mulher que faz sexo com um cara cujo nome nem sabe direito, não vejo uma relação casual com bons olhos para um relacionamento que se pretende ser duradouro. É claro que se pode casar com alguém que conheceu numa balada, trocou duas palavras e antes de dizer “vamos para um motel” já estava com aquilo dentro daquela, mas só acho que isso funcione para duas pessoas que encaram o sexo de forma despretensiosa.

Quando falo de encarar, digo, no íntimo mesmo, não da boca para fora, que é o que fazem a maioria das pessoas. Quando o sujeito come a garota que deu mole, ele é o garanhão, quando é a filha dele que deu, ela é a puta.

A verdade é que boa parte das pessoas posam de “descoladas” assim como gente com posses posa de “comunista”, tudo vale quando não é o teu na jogada.

Você pode até começar a proferir impropérios contra os hipócritas, mas pense porque essas pessoas estão agindo assim. Acredito que negar seus preconceitos é uma forma desesperada de tentar ser aceito pelo maior número de pessoas possível, pois marcar uma posição certamente vai desagradar alguém.

O problema acontece quando você não tem cacife para bancar aquilo que prega. É como o sujeito que diz não ter ciúme da namorada, porque é bacana falar isso, mas se rasga quando ela decide sair com as amigas ou como a mulher que acha normal dar de primeira, mas vê problema quando o cara propõe uma suruba. Ué, se você vê o sexo como uma coisa que não precisa ter a ver com sentimento, qual o dilema?

Com relação ao sexo anal isso também acontece, o mesmo sujeito que rotula a mulher de vagabunda por querer também pode ser aquele que adora praticar, mas contanto que tenha sido ele o proponente.

Identificando os sinais

Acho que é questão de sentir como o cara reage. Eu chamaria o meliante para ir a um motel, ligaria em qualquer um dos canais pornô que não passassem filmes gays (considerando que ele é hétero), e observaria as reações dele. Não precisa ficar preocupada em saber se haverá ou não cenas com anal, é praticamente certo que sim.

Se ele for dos que gostam da coisa, fatalmente lhe chamará para o hardcore, agora, se fizer cara de nojo…

Segunda pesquisa respondida por 1.083 leitoras do blog, 21% das mulheres sempre ou quase sempre tem orgasmo anal, 55% tem orgasmo vaginal e 84% no clitoriano.

Um dado curioso é que, entre as que se declararam casadas o percentual de quem atinge orgasmo anal é de 23% contra 16% das que se declararam solteiras. Pode parecer pouco, mas é quase metade a mais, sendo que boa parte nem é adepta da arte. Podemos entender então que homens casados sabem fazer melhor? Pelos números sim, mas acredito que tenha mais a ver com a cumplicidade do casal do que pelo talento do sujeito.

 

Sabendo pedir

Ainda respondendo sua pergunta, como acho que a maioria dos homens precisam de teatrinho para se sentir melhor, acho que o caminho mais fácil é contar historinha. Eu, em seu lugar, daria uma de virgem de pau oco, pediria para botar o dedo lá só para ver qual sensação dava, depois falaria que fiquei com vontade de experimentar, mas que achava que iria doer e por aí iria tapeando o cidadão. Bobo é difícil criar, mas quando criamos dá até gosto de ver.

Eu sei que a hipótese de ser uma pessoa transparente agrada, que seria legal poder falar abertamente sobre tudo, porém será mesmo que é a melhor coisa nessa hora? Todos estão preparados para “novidades”?

Acredito que não, mesmo sendo um defensor do direito de falarmos o que quiser, sou obrigado a aceitar que existem muitos jeitos para se fazê-lo, cabe a você entender melhor o seu público para atingir melhores resultados.

Depois de tudo posto e colocado nos seus devidos lugares, divirta-se!

Abraços e beijokas

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