sábado, 21 de janeiro de 2017

Mais de trinta

Pergunta complexa: paixão, escolhas, distância, família e sociedade.

Urso, estou a quatro meses administrando um namoro a distância de 1000km. Metade do tempo, passei viajando pelo mundo, em um processo de auto-conhecimento. Volto para território nacional e o relacionamento torna-se mais sério, com novas perspectivas! Uma delas é mudar-me para a cidade dele, onde tenho mais chances para a minha carreira, e, claro, a possibilidade de estar perto de quem eu acredito ser meu futuro marido! Dizem que a vida é curta, porém tenho medo de estar sendo precipitada, uma vez que o tempo que passamos juntos não é relevante para a sociedade em geral e ainda provoca espanto aos meus confidentes… Outra questão, ainda, é a distância da minha família e dos meus amigos… O que você faria em meu lugar? Mari

 

Gostei muito da sua pergunta, Mari. Se alguém a ler de forma vaga, não perceberá tudo que está nela, como o tempo que se leva para uma paixão lhe arrebatar o coração, o valor da opinião dos outros e por final, a liberdade que temos em fazer escolhas e pagarmos o preço por elas.

É engraçado como esse último trecho que escrevi dá a entender que “pagar o preço” significa “se dar mal”. Mas, não é isso que quero dizer, minha intenção não é demovê-la de tomar alguma decisão, muito pelo contrário, a vida é cheia delas e é ótimo tomá-las, sempre evoluímos, mesmo quando a decisão tomada não nos favorece, basta saber interpretar o resultado.

Para facilitar um pouco a minha resposta, vou fatiá-la, ok? Vamos começar pela paixão, afinal, ela sempre vem primeiro mesmo!

A Paixão

Não que eu seja especializado em paixões e amores, isso é coisa para os filósofos que não pegam ninguém, mas, dentro da minha “ignorância, pude perceber que não há tempo necessário para que a paixão faça alguém perder a cabeça.

Em outra resposta falei sobre o amor e o sexo, nela deixei claro que é possível ter um sem o outro, mas é muito melhor ter os dois juntos. Se você discorda da possibilidade de sexo sem amor basta lembrar que existem pessoas que vivem disso…

Já o sexo sem paixão é ainda pior do que o sem amor. Ela turbina as sensações, provoca risos incontidos, uma adoração e admiração que só se abrandam quando o relacionamento evolui para o amor ou acaba de vez com o rompimento do mesmo.

Quantos dias seriam necessários para uma pessoa ficar apaixonada? Dias?! Acredito que, em alguns casos, bastam instantes! Com o amor é um pouco diferente, é preciso ter algumas desilusões com o par para saber se existe amor, não entenda “desilusões” como “desastres mega atômicos”, mas sim como “divergências”.

Mas, para quê estou falando sobre isso? Para facilitar sua compreensão sobre o que está sentindo e qual o melhor rumo a tomar. Não é que seja proibido ficar apaixonada e resolver “pirar o cabeção”, mas a chance do arrependimento bater é gigante.

A maioria dos casos que conheço, parecidos com o seu, onde não se esperou a evolução do relacionamento para algo mais duradouro, não acabaram bem. O que não quer dizer que o seu não seja uma exceção, aliás, boa parte das pessoas acredita serem exceções… Mais um ponto para a psique humana! Se todos são exceções, quem será a regra?

A Mudança

Mudar de cidade implica em uma série de acontecimentos, felizmente ou não, somos seres que vivem em grupos, geralmente nos associamos àqueles que têm algum tipo de similaridade ou interesse em comum. Claro que existem as pessoas que vivem sozinhas em seu mundo, para estas sugiro ajuda psicológica… Voltando ao assunto, quando você se muda, suas raízes não lhe acompanham e isso tem preço. E daí?

O coitado que a fez mudar de cidade terá uma dívida com você, mesmo que você ache que não, ela só virá a tona quando um ou outro problema acontecer. Quando “chover”, uma voz se levantará e dirá “Você me tirou da minha cidade para isto?”. É inevitável, raramente alguém se dá conta de que saiu porque quis. Nessas horas, falta bom senso.

Se o relacionamento naufragar, o meliante receberá a fatura completa com todos os juros em seu nome… Não adianta você me falar que isso não acontecerá, porque é da nossa natureza arrumar um culpado. Poucos assumem a responsabilidade e pagam o preço que falei lá em cima, no início da resposta.

Chegamos ao ponto alto da questão: o que eu faria em seu lugar?

Eu esperaria a paixão evoluir e, se isso acontecesse, me mudaria sim, sem problema algum, mas o faria de forma consciente, sem culpa se algo der errado, nem arrependimentos. Pé na estrada!

Beijoka do Urso!

Ah, havia me esquecido de falar sobre a opinião dos outros e da sociedade… Bom, isso é um caso a ser pensado mesmo… De forma muito honesta e carinhosa, os outros e a sociedade que se fodam!

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