Estudo: Queijo Rico em Gordura Associado a Menor Risco de Demência
Um estudo realizado com adultos suecos sugere que o consumo de queijo e creme ricos em gordura pode estar relacionado a um menor risco de desenvolver demência na vida adulta. Embora os resultados sejam promissores, é importante notar que o estudo foi observacional e não prova definitivamente que esses alimentos podem prevenir a demência.
Atualmente, seguir as Diretrizes Dietéticas do USDA é provavelmente a melhor abordagem nutricional para apoiar a saúde cerebral. Para manter o cérebro saudável à medida que envelhecemos, os especialistas geralmente recomendam:
- Exercício regular, incluindo treinamento de força
- Consumo de vegetais folhosos
- Manutenção de uma vida social ativa
Uma novidade que pode surpreender é a inclusão de mais queijo na dieta. Um grande estudo recente sugere que o consumo de queijo e creme ricos em gordura está associado a um risco reduzido de demência. De acordo com o autor do estudo, Yufeng Du, “nossos achados incentivam uma reconsideração do papel das gorduras dietéticas — incluindo as saturadas de certos alimentos — na saúde cerebral”.
Resultados do Estudo
O estudo, publicado na revista Neurology, analisou as dietas de 27.670 participantes na Suécia, utilizando um diário alimentar de sete dias, um questionário de frequência alimentar e entrevistas dietéticas. Após 25 anos, foram registrados 3.208 casos incidentes de demência. Os resultados indicaram que aqueles que consumiam mais queijo e creme ricos em gordura apresentavam menor risco de fazer parte desse grupo. Por outro lado, o consumo de queijo e creme com baixo teor de gordura, assim como outros produtos lácteos, não mostrou associação significativa.
Yufeng Du explica que “o queijo contém vários componentes que podem apoiar diretamente a saúde cerebral, incluindo proteínas e aminoácidos essenciais, vitaminas lipossolúveis (como a vitamina K2 e a vitamina E), antioxidantes como o selênio, bem como peptídeos bioativos e probióticos resultantes da fermentação”. Além disso, o consumo de queijo foi associado a um menor risco de diabetes e hipertensão — dois fatores de risco significativos para a demência.
A amplitude do estudo e o longo período de coleta de dados o tornam um dos mais robustos na epidemiologia nutricional, conforme aponta Alexis (Lekki) Wood, professora associada de Pediatria – Nutrição no Centro de Pesquisa em Nutrição Infantil do USDA/ARS e na Baylor College of Medicine. Contudo, existem limitações, pois o estudo é observacional e não pode provar causalidade. Isso significa que, embora haja uma associação entre o consumo de queijo rico em gordura e um menor risco de demência, não se pode afirmar que um cause o outro.
Considerações Importantes
Wood ressalta que existem muitas variáveis que podem influenciar as escolhas alimentares das pessoas. “Não sabemos muito sobre por que as pessoas optaram por consumir mais ou menos laticínios com diferentes teores de gordura”, diz ela. É possível que aqueles que consumiram mais laticínios ricos em gordura também tivessem outros fatores que os protegiam da demência, como uma vida social mais ativa, por exemplo.
Além disso, a coleta de dados ocorreu na década de 1990 e foi realizada em um único país. As informações foram autorrelatadas e outros componentes da dieta que poderiam afetar o risco de demência não foram controlados adequadamente.
O Que Fazer Agora?
Com base nas informações do estudo, a recomendação não é aumentar o consumo de queijo em prol da saúde cerebral. “Embora eu ache o estudo interessante e bem conduzido para a epidemiologia, não recomendaria mudanças dietéticas para as pessoas neste momento”, afirma Wood. Os autores do estudo também consideram que as evidências existentes são “precoces”.
Para traduzir esses achados em recomendações dietéticas definitivas, é necessário mais pesquisa sobre os mecanismos biológicos subjacentes e evidências de populações diversas para estabelecer causalidade. Apesar disso, os autores sugerem que o consumo moderado de queijo, dentro de uma dieta equilibrada, não parece ser prejudicial e pode até estar associado a alguns benefícios.
Como Apoiar a Saúde Cerebral
Atualmente, seguir as Diretrizes Dietéticas do USDA é a melhor maneira de apoiar a saúde cerebral. Isso inclui:
- Focar em frutas e vegetais ricos em nutrientes
- Incluir grãos integrais e laticínios com baixo teor de gordura
- Consumir proteínas magras, como carnes, frutos do mar e leguminosas
- Usar óleos saudáveis, como óleo vegetal e óleos de frutos do mar ou nozes
Além de limitar alimentos ricos em açúcares, gorduras saturadas, álcool e sódio, essa abordagem ajudará a minimizar o risco de doenças crônicas, especialmente aquelas relacionadas ao envelhecimento. A saúde cardiometabólica também é crucial, pois está intimamente ligada à saúde cerebral.
Por fim, é essencial lembrar que o exercício, o apoio social, a assistência médica preventiva e o gerenciamento do estresse são benéficos tanto para o cérebro quanto para o corpo.
Os estudos sobre a relação entre dieta e saúde cerebral continuam a evoluir, e é importante manter-se informado e adotar hábitos saudáveis para promover uma vida longa e saudável.
Observação Importante: As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação ou o acompanhamento profissional. Sempre consulte um médico ou especialista em saúde para orientações personalizadas.
