segunda, 20 de novembro de 2017

Mais de trinta

A ignorância masculina a respeito do prazer e da fidelidade da mulher

Sempre fui um sujeito falastrão, bom de conversa, o que me rendeu diversos apelidos e brincadeiras. Era comum ouvir algum comentário sobre minha habilidade em convencer pessoas a fazer algo. O que mais gravei foi: “Se o Marcelo parar do lado do poste e falar com ele, pode esperar uns quinze minutos e verá o poste envergando para escutar o que ele tem a dizer.”.

De fato, não posso negar que essa característica sempre me orgulhou. Contudo, acho que pouca gente notou o outro lado da questão, que acontece justamente quando estou calado ou faço esgrima verbal com as pessoas. Observo uma quantidade gigante de comportamentos, gestos e posturas. Acho que é mal de marqueteiro, estudar tudo e todos.

Essa prática se estendeu a conhecer mais sobre como funcionam as relações interpessoais. Os anos de Pergunte ao Urso, lendo e respondendo questões, colaboraram muito nessa parte.

Tive que rever boa parte dos meus conceitos sobre o prazer feminino. O principal foi abolir a ideia de que só homens conseguem separar muito bem sexo de amor.

Mulheres fazem sexo sem amor também, por prazer apenas. Só não gostam disso, mas fazem. Qual o problema com isso? Para o homem padrão, tudo!

É o fim da teoria obtusa da fidelidade por meio do amor. Na cabeça de alguém que não viveu o suficiente ou não observou o bastante, à mulher caberia só fazer sexo com seu parceiro porque ela não faria com outra pessoa que não amasse. Ou seja, se o amor não é um fator limitador, em tese, o sujeito poderia ser corno sete dias por semana.

O medo do homem padrão é esse. Ser chifrudo! Meio besta, mas é. Eu já entrei nesse bonde quando era mais novo, confesso. Uns vivem eternamente com esse pensamento, acredito até que, de tanto pensarem nisso, acabam sendo!

A experiência imersiva no universo feminino me fez parar de viver em negação e aceitar os fatos. Mulheres, assim como os homens, conseguem ter orgasmo com qualquer coisa que se mexa ou não. Acredito até que elas tem ainda mais facilidade do que nós, porque boa parte do orgasmo feminino está no psicológico, enquanto o nosso está na mecânica.

Sobre o medo de ostentar o par de chifres, melhor lidar com o fato de ser uma grande loteria. Um dia você será premiado ou não. Não há como e nem porque vincular o prazer na característica de infidelidade de alguém, a menos que se trate de algum distúrbio.

Dado isso colocado, uma questão que abordo com os colegas, exatamente para ver a reação deles é sobre o uso de sextoys. Adoro ver os machões dizendo que suas companheiras não precisam de brinquedos porque tem a eles. Fantástico! Isso realmente exclui, pelo menos na visão dos ogros, a “necessidade” de complementar o prazer! Eles! Claro! Quem tem um sujeito assim realmente não precisa de mais nada…

Raras as vezes que encontro um homem mais esclarecido sobre o tema. A maior parte dos homens tem, por incrível que pareça, medo de serem substituídos por um negócio de látex, que vibra ou gira e que precisa de pilhas para funcionar.

Estou rindo só de escrever essa bobagem, de tão ridícula que é!

Veja bem, no dia que um homem dotado de inteligência cognitiva e emocional, possuidor de membros que podem ser muito eficazes se bem utilizados (não vou entrar em detalhes de quais) e que tenha pegada sexual, for substituído por um sextoy, trocarei meu nome para Carlota Joaquina e farei shows de transformismo na Praça da Sé!

Duvido que um parceiro atencioso, observador, dedicado e com a mente aberta possa ter medo de um mero brinquedo que pode facilitar muito as coisas no sexo.

Está mais do que na hora do homem parar de ser conservador e temerário! A mulher está aí, em busca do prazer e o cidadão vai parar para olhar o tempo passar?

Claro que, em alguns casos, o tamanho de alguns brinquedos podem assustar os menos providos de aparato, mas isso é bobagem, escolha algo menor e vá de encontro a inovação.

De tudo que eu li nas reclamações femininas, a rotina é sim um dos maiores causadores de cornos que tem. Só perde para a grosseria e a falta de inteligência.

Fica aqui o meu alerta, se é para ter que dividir o pão, que seja com algo que você pode desligar a hora que quiser e que não tenha a capacidade de abrir potes ou fazer cafuné.

Acredito muito que flores são presentes bacanas, mas considere que um aliado que vibra pode ser ainda mais legal. Por um mundo com mais prazer e menos pudor.

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