Thursday, 18 de July de 2019

Mais de trinta

A vida a dois é um jogo? Nesse jogo quem ganha?

jogo do amor e da vida

jogo do amor e da vida

Eu queria poder dizer que a vida não é um jogo, mas vira e mexe percebo que jogamos o tempo todo. Um jogo perigoso no qual não devemos nunca entregar os pontos.

Ceder? Mal sabemos o que é isso. Esperar? Eu lá tenho tempo! Pois é, maldito mundo das urgências.

Nas relações de um casal isso acontece com freqüência e fico pensando pra onde isso tudo nos leva. Será que alguém ganha ou será que todos nós perdemos?

Defendi a postura há tempos atrás, sobre fazer o que apenas tivesse vontade. Confesso que corri muitos riscos, precisei também entender todas as reações das minhas ações, mas pelo menos tirei das costas os pesos dos jogos.

No fundo, no fundo, deixei metade na mão do tal destino e a outra metade na mão do querer de outra pessoa. Porque eu queria mesmo receber só o que quisessem me dar. Tinha cansado de viver relacionamentos à base de cobranças de afeto.

Eu vivi um relacionamento em que demorei a perceber que estava sozinha. Que a pessoa não queria me dar muita coisa, então eu aceitei o que vinha. A culpa não era dele, era minha.

Eu tinha assumido a postura de aceitar o que viesse, mas como o que vinha era pouco, eu tinha duas alternativas. Acostumar-me com esse pouco ou ir embora a procura do que eu queria. Mas não passou pela minha cabeça nenhum tipo de jogo para receber “a força”.

Nesse jogo da vida, que eu insisto em não jogar, tem gente que não sabe perder.

Ele mandou mensagem às 3:15, são 17:00 ele ainda não apareceu…

Ele estava online as 16:00 e não falou comigo- também não vou falar com ele…

Ela não ligou, quando ligar, não vou atendê-lo.

Eu sei que tem gente assim e não é pouca gente não. Cadê a fé no amor, sei lá, nas pessoas. Cadê a parte que nos deixa livre e menos conectados o tempo todo. Cadê o tempo que precisamos ficar com a gente mesmo?

Todo mundo quer tentar ser racional, frio e acostumar com a distância, mas o coração fica aflito com as esperas. No fundo queremos mesmo é viver uma grande paixão, dessas que batem com o pé na porta, que não deixam rastros, nem tempo para ficarmos a sós, que é arrebatadora, mas quase sempre fugaz.  A gente tem cada vez mais medo da solidão e de nossa própria companhia. Talvez porque dentro de nós more uma ansiedade infinita e um medo terrível de ser só.

A gente não sabe mais esperar. A gente não sabe mais o que fazer com o tempo, com o silêncio, não sabemos mais o que fazer quando estamos em casa numa boa. Ver um filme sozinho, comer sozinho, ir ao parque sozinho. Desde quando ficar consigo mesmo virou um tremendo tédio. Você precisa do outro, saber onde está o outro. O que está fazendo, com quem, por que.

O amor é merecimento, jamais obrigação. O amor não é barganha, não é jogo, mas as cartas precisam estar claras na mesa. Não é fácil, eu sei. Não foi para mim. Alias, posso dizer que aprendi na força que as relações precisam ter fins – mesmo quando não queremos. Viver assim, com a angústia da pessoa ir embora, ou sem segurança em saber o que a faz ficar é tenebroso. Mina toda a relação, principalmente as que são baseadas em sinceridade.

Primeiro porque precisamos saber o que temos a oferecer, precisamos dar o melhor que podemos para uma relação acontecer, também precisamos dar segurança, gritar ao vento que amamos, precisamos ter um postura compromissada com a relação – e o outro precisa sentir isso. Muitas traições acontecem por isso, porque falta segurança, não por falta de amor. A gente procura por ai o que nos falta, pode crer.

O que você doa, não pode ser cobrado, precisa retornar em mais pura graça. E se isso não acontecer, pode procurar outro alguém. Não devemos mendigar nada. Aliás, devemos partir da premissa que esse negócio de toma lá da cá, não funciona.

Ah fiz o jantar ontem, ele não lavou a louça – então hoje não cozinho.

Ah, ela não quis sair comigo ontem preferiu estar com as amigas, então hoje vou sair para tomar cerveja.

Quem liga primeiro quem paga, quem cozinha, quem busca, quem leva, quem arruma, quem guarda, quem faz, quem escuta…

Faça o que quiser, na hora que quiser, como bem quiser. Deu vontade, faça.

Esse jogo de barganha ninguém vence. É preciso ceder. Ninguém precisa falar não, ninguém precisa tentar ser difícil, a vida já é dura, trás leveza aos seus dias. Chame para sair, peça em casamento, coloque sua cara para bater, coloque-se na reta de ganhar e perder.

Viva o que tiver que viver. Ninguém precisa correr atrás de ninguém para demonstração de afeto, de valor e de significância. As pessoas são diferentes, algumas não têm dependências emocionais e aprendam de uma vez por todas que se alguém está com você é porque quer estar e mais nada além.

O resultado vai ser um relacionamento leve, você vai ver. Sem cobranças desgastantes, guarde as brigas relevantes, não brigue à toa, guarde e preserve suas relações.

Deixe a carência de lado, trabalhe a cabeça, desligue seu celular, vá ao cinema sozinho, ame a liberdade no amor. Ame seu direito de ser individual. Ame ser dois, ame ser só.

Deixe seu coração tomar suas vontades, faça o que deseja e assim você verá que a reciprocidade é a coisa mais linda que alguém pode lhe doar. A gente perde tempo tentando penetrar o impenetrável. Tentando esmolas pequenas de afetos. Cobrando juras e promessas.

Vá lá e faça, fique com a cabeça tranqüila em relação às conseqüências do que escolhe. Mente aberta, suporte algumas durezas, pegue menos no pé. A gente recebe cada resposta do universo, cada volta que a vida dá, para perder tempo em jogos em que não ganhamos muitas partidas. O desgaste da relação é certeiro, não podemos desafiar ninguém a jogar a partida.

Precisamos às vezes fechar os olhos para certas coisas, engolir orgulho, ego, ciúmes e conversar.  A tarefa não é fácil, choro sozinha muitas vezes, só para suportar uma dor que não vale a pena expor. Mas digo, quando passa é a melhor coisa que você poderá ter feito pela relação com quem ama, vendo lá na frente às possibilidades duradouras.

Amar hoje em dia é mesmo um ato de fé. Escolher casar única e exclusivamente por amor. Escolher alguém para namorar nos dias de tinder e afins. Tudo ficou tão fácil, então acredite em quem escolheu estacionar ao seu lado e ficar.

O que você faz por amor é de graça, é por afeto, por cuidado, vem de dentro. O retorno aguarde que virá o que for de merecimento seu. Abre as janelas, as portas, a cabeça e o coração.

Sem jogos. Agrade, ame, mime. Feliz mesmo é quem aceita a demora da colheita. Quem doa os gestos sem pedir nada em troca. Quem ama as pequenas delicadezas.

Guarde sua vontade de vencer a qualquer custo, de ter poder sobre o outro.

Deixa voar. O que é nosso, acredite, está bem guardado, na mão de sem lá quem, mas principalmente, em nossas mãos. E não perca a fé na vida, a fé no amor, a fé na RECIPROCIDADE.

Concordam?

Concordam?

 

 

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