sábado, 21 de janeiro de 2017

Mais de trinta

O amor: sofremos porque queremos

Quem nunca sofreu por amor não precisa continuar lendo. Recomendo que pare agora. Nem mais uma palavra. Acredite, prosseguir só o fará ter o trabalho de procurar algo pontiagudo para apedrejar meu texto.

Se você continuou lendo posso presumir duas coisas: a) você já sabe o quanto dói uma saudade e b) não sabe, mas muito em breve saberá, visto que não sabe parar quando te avisam.

Fiz essa pequena brincadeira para abordar uma característica que quase todo mundo tem: romancear o impossível.

Ao longo de anos percebi que muita gente acaba gostando, se apaixonando ou morrendo de amor por alguém que não lhe retribui do jeito que a pessoa gostaria. O que acontece com essas pessoas? Por que elas insistem em querer algo que tem tudo para dar errado?

Até pouco tempo atrás eu considerava que quem sofria por amor só podia ser um idiota. Com tanta gente no mundo, por que cargas d’água alguém precisa passar por tanto martírio só por uma em mais de seis bilhões de alternativas.

Eu estava errado, mas também estava certo. Só um idiota sofre que nem cachorro que cai da mudança quando tem que lidar com uma rejeição. Fato.

Outro fato é que todos ficamos idiotas quando nos envolvemos de verdade com alguém.

Muitos dizem que não escolhemos quem amamos, o que acho uma meia verdade. O que dizer daquela pessoa que tem o famoso “dedo podre”, que só “escolhe” os piores da lista? É involuntário ou ela tem plena consciência de que irá quebrar a cara e o faz mesmo assim?

A resposta que nos conforta é que não escolhemos, simplesmente acontece. Estamos lá dando uma volta no supermercado, em uma reunião de negócios ou até mesmo em uma missa de sétimo dia e… “Cataploft”! Cruzamos com aquela pessoa com a qual queremos viver até o último de nossos momentos.

“Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.” Vinícius de Moraes

Mas, peraí? O que essa pessoa tem a mais do que a outra que acabou de virar a esquina? Não sabemos. Nem nunca saberemos! O princípio da atração tem muito mais a ver com a biologia e a nossa necessidade evolutiva do que com qualquer outra coisa. O nosso “animal” fareja outro que faça sentido biologicamente.

Depois que “entendemos” que aquela pessoa seria interessante para nossa espécie, começamos a procurar nela qualidades racionais ou emocionais. Quando estas estão de acordo com as nossas, construímos uma relação de admiração e o jogo começa.

Ok, até aí tudo certo, mas cadê o momento do sofrimento? É o que vem agora! Sugiro que preste atenção.

Como somos apenas um em bilhões e aquela outra pessoa com quem “escolhemos” nos relacionar também é apenas uma, enxergamos a necessidade de dar um caráter especial para aquilo que está acontecendo.

Já reparou que a maior parte dos amores intensos vêm por uma coincidência absurda, um fato inusitado ou um momento chave em nossas vidas?

Perseguimos o amor intenso, aquela coisa que nos consome, nos instiga e que parece impossível de obter porque queremos! Sim! Queremos ter algo diferenciado para podermos cantar com o rei no final do ano: “se eu chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”.

Isso faz a gente se sentir vivo! Deixar de ser um na multidão, de ter um romance como qualquer outro no meio de tantos. Em resumo, sofremos porque queremos. Queremos porque muitas vezes não olhamos com o carinho devido para situações que já são positivas e que precisariam de poucos ajustes.

É esse o ponto onde quero chegar. Conseguimos ser felizes com várias pessoas. Mas a paz só chega quando entendemos que não precisa ser difícil para ser especial.

Isso me lembra aquele brinquedo que tinha buracos em formato de triângulo, círculo ou quadrado. Tenho certeza de que, se você leu até aqui, conseguiu entender que um triângulo não encaixa em um círculo. E tenho mais certeza ainda de que você se cansou de tentar encaixar até que entendeu que nem tudo se encaixa como você gostaria.

Diante desse impasse você tem duas opções: encontrar uma peça que se encaixe ou ficar tentando adequar a que tem na mão ao brinquedo em sua frente. A escolha é sua.

Até mais, uma boa semana!

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