Thursday, 21 de March de 2019

Mais de trinta

Como se perdoar ou lidar com os erros do passado?

Fazer uma retrospectiva da própria vida é tarefa para os fortes. Todos somos legais, inteligentes e altruístas na teoria, mas a prática pode mostrar outra coisa. O complicado é ver que o herói construído na sua cabeça não é bem assim, com os contornos que você desenhou.

Não escreverei sobre comportamentos externos, hoje me usarei como mau exemplo.

Semana passada resolvi elaborar novos cursos para a Presença Online, empresa que sou sócio, e montei uma pesquisa para poder entender melhor o que as pessoas querem. Para ilustrar o anúncio fui atrás de fotos dos treinamentos antigos e aí começou a minha a minha retrospectiva pessoal.

Como dou palestras desde 2007, tenho um acervo de fotos enorme desde aquele ano. Sempre detestei tirar fotos, mas a como atividade profissional exigiu, nos últimos anos tenho muito mais fotos do que todos os anteriores.

A facilidade do mundo digital me permitiu ver todas as fotos em ordem cronológica e com isso pude recompor a história dos meus últimos anos. A experiência foi, de certa forma, devastadora.

Ficou muito claro que desde 2008 algo muito errado começou a acontecer comigo. O problema foi se intensificando e atingiu seu ápice entre 2010 e 2012, depois começou a diminuir.

Como sei isso? Simples. Não vi o tempo passar. Muito do que eu vi nas fotos eu nem lembrava que tivesse ocorrido. Em alguns casos, precisei me esforçar muito para lembrar.

Passar pelos acontecimentos sem se dar conta é um grande sinal de que sua vida não anda bem. É duro reconhecer, mas acho que acabei pisando na bola com muita gente por causa disso.

Acredito que 2010 foi um ano muito punk. O fim de um casamento de muitos anos, de uma sociedade também antiga, e o meu envolvimento intenso em uma campanha presidencial que beirava a carnificina mexeram comigo. É claro que eu estressei. Quem não estressaria?

Como sou contra tomar medicação para controlar humor, coisa que boa parte da população faz, hoje percebo que criei uma forma alternativa de lidar com o cotidiano: ignorando ele. É claro que é uma forma errada, mas é o que tinha à mão naquela época.

A conta veio nos anos seguintes. Passei três anos tentando me encontrar e só fui retomar o controle pleno dos atos no início de 2014.

Basicamente resolvi aceitar tudo o que deu errado e assumir as responsabilidades a respeito das minhas contribuições que geraram soluções ou problemas.

Também decidi parar de puxar para mim a responsabilidade dos problemas gerados por terceiros. Cada um que resolva o seu, claro, a menos que me contrate para tal.

Nunca fui de levar desaforo para casa, mas nos seis anos desse período esquisito a minha resposta costumava ser muito desproporcional ao desafio. Uma discussão poderia ser o princípio de uma guerra particular.

Com mais calma vejo que a maioria dos problemas não passavam de ruído, coisa pequena, um mal entendido ali, uma palavra torta lá, enfim, coisa que eu deveria ter deixado passar.

Como é difícil analisar tudo enquanto acontece, sugiro fazer uma pausa para rever tudo em algum momento em que as coisas estiverem mais tranquilas. O que está feito não dá para mudar, porém dá para evitar novos problemas.

Contudo, não adianta fazer uma pequena repescagem, é preciso ir mais a fundo, buscar memórias daquilo que te fez bem, mas principalmente, do que te fez mal. Após esse encontro, ter distanciamento para rever a questão e se preparar para encarar a realidade.

Caso tenha dificuldade em recordar os fatos, comece aos poucos, escrevendo em uma folha as coisas que você lembra da sua vida, de forma resumida. Depois vá, ponto a ponto, explorando as situações.

Mantenha a mente aberta para se julgar, se condenar e também se absolver. Vá sem medo e limpe os resquícios que o passado possa ter deixado, é melhor do que ignorar e depois ter que lidar com tudo.

Até mais!

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