domingo, 30 de abril de 2017

Mais de trinta

Sobre relacionamento e como estragar o seu

Do ponto de vista geral, o relacionamento tem sido sempre uma experiência bastante dolorosa. O primeiro passo é ter alguém com o objetivo de “dar certo” e, se no passado a experiência foi amarga, acabamos criando um filtro um pouco mais criterioso para, quem sabe, chegarmos mais rápidos ao ideal. Se a ferida está aberta, queremos que seja curada, de preferência rapidamente.

Então, na busca incansável de encontrar o nosso par perfeito, esquecemos de observar que todo o relacionamento dá e deu certo. Certo para desenvolver alguma habilidade, maturidade ou lapidar alguns comportamentos necessários naquele ciclo.

Infelizmente, nosso “dar certo” está sempre associado a uma fantasia: O convívio ideal.
E somos muito deficientes em nos dar apoio e atenção, então projetamos essas faltas em um relacionamento a dois.

O que é preciso para ter o relacionamento ideal, ser feliz e satisfeito

As respostas sempre se assemelham a mais companheirismo, comprometimento, valorização, etc… E, nesse momento, o idealismo se coloca em ação: geramos uma lista (muitas vezes inconsciente) de expectativas que, claro, não demos conta e deixamos o outro responsável por cuidá-las.

Uma lista enorme daquilo que poderíamos fazer por nós, com um toque de cobrança para o bem do relacionamento. Não nos sentimos felizes, satisfeitos, muito menos valorizados… E a culpa será dele(a), é por causa dele(a) que a sua vida afetiva está essa b*.

E um dos itens mais importante da lista: PRECISA SER ESPONTÂNEO! Ou seja, além do companheiro ter 24 horas do dia para preencher seu vazio e curar suas feridas, para que a sua caminhada seja mais leve, ele precisará ser vidente para saber os momentos exatos dessas necessidades.

Muito fácil, não?

Por mais que goste de nós, como essa pessoa pode saber uma série de nuances, sutilidade de uma vida interior e atender a tudo isso? É impossível. Isso não se chama se relacionar, se chama SE INCOMODAR E INCOMODAR “O AMIGUINHO”!

Então, a uma das regras para não estragar o relacionamento é evitar tantas cobranças.

Se você se torna uma pessoa porque o outro precisa, você poda a sua essência, esse peso lhe trará sofrimentos e perdas, mesmo que o começo do relacionamento tenha sido ótimo.

Todo interesse tem um ciclo e termina

É com ele que aprendemos a nos confrontar e amadurecer. Quando fazemos uma autoanálise, começamos a cuidar de nós, então a necessidade de ter alguém passa a ser uma vontade de uma companhia agradável, sincera e sem preocupação.

Já parou para pensar o que deixou de aprender com aquele relacionamento que tanto cobrou, por simplesmente olhar apenas para a sua lista? O aprendizado foi apenas prolongado. Então, você pode aprender com a pessoa atual ou simplesmente descartá-la. Já que não atende a sua lista, ela não é a pessoa “certa” pra você. Assim, ficará mais fácil, a culpa nunca será sua e você nunca terá que se enfrentar.

No final da autoanálise percebemos uma semelhança coletiva: fomos e ainda somos egoístas

“Ter” uma companhia não é remédio. Primeiro, se encontre e, antes de culpar o companheiro, descubra quais pensamentos e comportamentos têm tido para atrair determinada situação.

Mudar de relacionamento soluciona? Eu sinto lhe informar, mas, é você quem estará na nova relação, ainda mal resolvido(a) e, talvez, mais frustrado (a) e exigente. Então, a diferença será apenas o tamanho da lista.

A única pessoa que falta na sua vida, caso sinta que falte, é você mesmo. A vida nos une para aprendermos sobre nós mesmo.

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