Saturday, 20 de October de 2018

Mais de trinta

O que falta nos relacionamentos

Há quem diga que o mercado do amor está aí, repleto de oportunidades para quem quer deixar de ser ímpar e passar a ser par, mas a verdade é que não está fácil para ninguém. Quanto maior o grau de exigência que você tiver do seu parceiro, menores são as chances de dormir acompanhado.

Fazendo umas contas bestas das minhas principais exigências cheguei a um número de 19 mulheres que poderiam ser meu par. Dedique cinco minutos e acompanhe meu raciocínio.

Segundo o IBGE, existem em São Paulo, estado em que resido, 3.698.780 mulheres, entre 25 e 35 anos.

Como sou abstêmio, portanto, só bebo em eventos e acho um porre conviver com quem bebe regularmente. Só essa peculiaridade já mata cerca de 70% do volume total. Sobram 1.109.634 mulheres. Destas, pode colocar que 30% fumam, o que também não suporto e ataca minha rinite alérgica. Ficam, 776.743 mulheres.

São Paulo é um estado grande, sendo assim, melhor focar apenas em quem mora na capital, cerca de um quarto do total, o que nos dá 194.195 mulheres.

Claro que eu não me interessaria por todas, na verdade, pela minha experiência de vida, percebi que não me sinto atraído por mais do que uma em cada cem mulheres, o que daria um total de 1.941.

Isso ainda não contempla as diferenças culturais, políticas e religiosas. Por exemplo, se for fanática por algum partido, está fora. Gostar muito de sertanejo ou, ainda que apenas um pouco de funk carioca, também está fora.

E ainda temos que encaixar outra parte da equação, a que faz com que a moça se interesse por mim. Vou colocar a taxa de 1:100 para efeito de amostragem. Ou seja, a cada 100 mulheres pelas quais eu me interessaria, apenas 1 estaria interessada em mim.

O resultado: tenho 19 possibilidades que moram na mesma cidade que eu e supostamente atendem os requisitos básicos.

Claro, se eu fosse menos chato ou criterioso os números me favoreceriam. Um colega uma vez me disse que quem come qualquer coisa está sempre mastigando. Outro disse que quem dispensa é o exército. Eu prefiro continuar com minha chatice.

Com certeza todo mundo tem seus critérios para a seleção e por mais que você não perceba, o número de pessoas que poderiam estar ao seu lado não é lá muito extenso.

Mas o que isso quer dizer? Elementar, caros leitores, quem não suporta a ideia de passar o resto da vida sem dormir de conchinha e resolve apostar na ideia da vida a dois, é melhor se dedicar por completo. Fazer valer a pena.

Como manter a estabilidade no relacionamento

Me sinto na obrigação de compartilhar a principal coisa que aprendi ao longo dos anos de vida e no aconselhamento para as pessoas que mandavam perguntas por meio do Pergunte ao Urso.

Se quer aproveitar a vida a dois com alguém incrível, uma daquelas poucas pessoas que você pode amar, ao mesmo tempo que podem também te aguentar, preste muita atenção, pois aqui não vai uma daquelas dicas mequetrefes: mantenha o foco na relação.

Eu sei, provavelmente você acho simples demais para ser tão importante. Muita gente acha. Principalmente aqueles que levam um pé na bunda, mais dia, menos dia ou pior, passam a ornamentar mais chifres que alces.

O foco na relação é uma das coisas mais difíceis de conseguir. É mais do que andar na linha, mais do que ser companheiro, mais do que aguentar a sogra. Manter o foco é, resumidamente, desistir de você.

“O Marcelo ficou louco” ou “Que puta cara babaca”, deve estar pensando a maioria das pessoas que eu esse artigo até aqui. “Como assim, vou desistir de mim? Eu tenho uma vida, meus gostos, meus sei lá o que”, esbravejam outros, mesmo que mentalmente.

A verdade é dura e contradiz boa parte do que o senso comum diz: se você quer ter uma vida a dois, muito foda, com alguém super especial, só conseguirá se entender que o casal deve ser o foco da relação. Não tem outro jeito.

Vai se anular? Depende. Depende do quê? Do quanto você estiver pronto para viver uma relação assim.

Se ainda quiser ter os seus sonhos individuais ou suas prioridades em primeiro plano, provavelmente terá que se anular. Casamento ou vida a dois não é isso. É acordo. E apesar de ser sério, pode ser bem divertido, se os pares estiverem de acordo.

Que fique claro, não estou defendendo meio termo para divergências. Estou defendendo doação. Nada pelo meio. No meio termo ninguém fica inteiro feliz. Óbvio que se apenas um doar, a relação ficará desequilibrada, não se sustentará por um longo tempo e talvez será a hora de terminar o relacionamento.

Manter o foco exige que mantenhamos nossa atenção voltada para a construção de algo conjunto, em tempo integral. Não sobra espaço para projetos individuais. Daí a importância de escolher muito bem com quem irá ficar, por mais que isso restrinja suas chances de dormir acompanhado.

Construir um projeto de vida a dois exige maturidade, dedicação e força de vontade acima da média.

Acho que perdemos essa visão ao longo dos anos e talvez eu seja apenas mais uma pessoa remando na contramão, mas é nisso que acredito.

Até mais!

Leia também: “Por que os relacionamentos acabam?“, “Os 5 minutos que mudam tudo em um relacionamento

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