Friday, 14 de August de 2020

Mais de trinta

Os cinco minutos que mudam tudo em um relacionamento

Ouvindo uma música chamada Vambora — sim, eu também escuto Adriana Calcanhoto  — me dei conta que, em algum momento, toda relação tem um momento decisivo. Aquele momento onde um dos lados tem que ser “macho”, independentemente de ter nascido homem ou mulher.

Uma pessoa com que trabalhei, Roberto Melo, sempre disse que na vida, às vezes, é preciso ser macho, mas ainda bem que são poucas vezes, até porque esse negócio todo de macheza é muito cansativo. Concordo com ele.

Para não dar trabalho para vocês, separei o trecho exato a que me refiro:

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Prá mudar a minha vida

Caramba! Repare bem que entrar pela porta “agora” e ter meia hora para mudar a vida de alguém não é uma das tarefas mais simples do mundo. Na verdade, conhecendo a pouca capacidade que as pessoas geralmente têm em falar abertamente o que sentem e o que querem, é uma tarefa praticamente impossível.

Vou além, posso reduzir a meia hora para os primeiros cinco minutos. Sem uma boa argumentação e uma escolha muito delicada de palavras, os vinte e cinco minutos que sobram podem ser facilmente dispensados.

É preciso ter muito peito para exigir uma posição imediata como a da música, mas é preciso ter ainda mais para aceitar o desafio. Deve ser por isso que a maioria corre…

Quando é chegado esse momento “decisivo”, o que vale são as cartas na mesa, não tem enrolação, nem ego, muito menos orgulho. Tudo já foi para o espaço durante todo o processo de “desentendimento” das partes.

Posso estar sendo ingênuo, mas acredito que todo relacionamento pode ser realinhado quando, por algum ou muitos motivos, tudo se tornou cinza. Contudo, acho que sempre há um ponto sem retorno, no caso, o dos cinco minutos.

Traições e mentiras, pequenas ou grandes, nada importa. Quando duas partes resolvem que devem se acertar, e estão realmente dispostas a isso, nem macumba das bravas segura.

Antes que alguém questione se eu acredito em mandigas, afirmo que não. Mas acredito muito na inveja, que é a pior macumba que existe. Nem adianta tentar se ver livre dela, nem perca seu tempo. O negócio é manter o foco no que importa e deixar a cachorrada latir em vão.

Toda felicidade, quando revelada, acaba atraindo um dose de inveja mesmo de pessoas próximas e que, em teoria, gostam dos envolvidos.

Voltando ao tema principal, é nos cinco minutos que vemos do que é feita a pessoa que está com você. Funciona mais ou menos como aquele momento amado e odiado no futebol que, popularmente, é conhecido como pênalti.

Mesmo jogadores de renome já jogaram sua moral do desfiladeiro por um pênalti mal batido. Naquele momento a torcida está ansiosa, o time todo deposita suas expectativas no batedor, o presidente do clube se ajoelha e reza para todos os santos que conhece enquanto, do outro lado, há um goleiro passando pela mesma situação.

Assim como no futebol, no relacionamento a pressão faz as pernas tremerem e, do nada, aparece um frio na barriga. Sim, você já treinou muitas vezes fazendo diálogos imaginários, supondo todos os desfechos possíveis, mas nada tranquiliza nenhuma das partes. Na verdade, só existe tranquilidade em alguém se a pessoa não se importa para o que possa acontecer.

Quando os cinco minutos chegarem

Não posso dizer muito sobre como você deve se portar quando seu momento chegar, mas posso dar algumas ideias.

Em primeiro lugar, não vá para um momento desse sem saber direito o que você precisa para ser feliz. Tenha em mente a resposta para uma questão: quero essa pessoa do meu lado quando nada mais restar?

Se sua resposta é “não” nem continue a ler o restante da minha coluna. Contudo, em caso de resposta positiva, dispa-se de qualquer tipo de orgulho que possa ter. Aquele é o seu momento de aceitar que “precisa” de outra pessoa. Não é a hora de chegar botando banca como se fosse a pessoa mais certa do mundo.

Quando alguém se põe dessa forma sempre me pergunto se minha busca pelo sucessor de Jesus Cristo chegou ao fim, se estou diante de um ser tão grandioso capaz de separar o joio do trigo sem se misturar com ele em algum momento.

Todo mundo erra, pisa na bola, faz e pensa bobagem, inclusive você. Se você não conseguir pensar desse jeito talvez isso tenha um significado. Significa que a vida a dois não é a sua praia no momento.

Além do que fazer, vou te dizer o mais importante, que é o que não fazer. Preste bem atenção, talvez você não tenha outra chance!

Leve aquela conversa, aqueles cinco minutos, a sério! A sua atitude pode determinar como você se sentirá pelos próximos meses, anos ou pelo resto da vida. Nada nos machuca mais do que sabermos que devíamos ter feito algo, mas não fizemos. Pessoas vão e vem, eu não tenho dúvida disso, mas nem sempre é o que deveria acontecer.

Até mais!

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